“Minha irmã morreu por negligência médica”, afirma munícipe em Audiência Pública que debateu qualidade do serviço da UPA Dr. Thelmo

Após inúmeras reclamações de munícipes sobre a qualidade do serviço da Unidade de Pronto Atendimento 24h (UPA) ‘Dr. Thelmo de Almeida Cruz’, a Comissão de Saúde e Assistência Social (CSAS) da Câmara Municipal de Jacareí realizou audiência pública na noite de quarta-feira (31) para debater o tema e buscar soluções sobre o caso.

Todos os vereadores estiveram presentes, assim como o promotor de Justiça da Cidadania de Jacareí, José Luiz Bednarski, e a ouvidora da Saúde da Prefeitura Municipal, Ana Maria Bortoletto.

A secretária de Saúde, Rosana Gravena, não compareceu à audiência, resultando em críticas por parte dos vereadores. “Nesta primeira vez nós a convidamos, mas na próxima será por meio de convocação”, afirmou vereador Rodrigo Salomon (PSDB), presidente da Comissão de Saúde.

Aproximadamente 40 pessoas compareceram ao Plenário, sendo que 21 expuseram os relatos vividos na UPA e sugestões para melhora do serviço prestado.

Um dos casos mais emblemáticos foi em relação à morte de uma mulher que, de acordo com relatos da irmã, ocorreu por negligência médica.

“Levei minha irmã cinco vezes na UPA. Ela estava sem respirar e deram pulseira verde a ela. Quando ela começou a ter parada cardíaca, o médico disse para esperar que a enfermeira estava chegando, a mesma enfermeira que a tratou como um cachorro na parte de fora do prédio. Minha irmã morreu por negligência médica e se fosse tradada corretamente ela estaria aqui hoje”, afirmou Viviane dos Santos.

Outro depoimento marcante foi de Valdirene, que, em 2018, perdeu o filho de um ano de idade.

“Meu filho estava com 41 graus de febre e mandaram dar banho nele, e foi o que fiz. À tarde ele começou a vomitar e levei novamente ao UPA, mas não analisaram e deram uma injeção que o fez reagir de forma estranha, e então me dispensaram. Foi então que decidi levar no postinho do Santa Cruz para ver se a médica poderia fazer algo, mas não conseguiu. Levaram para o UPA novamente e não me deixaram entrar. Após algumas horas meu filho havia morrido e eu até hoje não sei do que ele morreu. Na época, outras três crianças também morreram”, disse Valdirene, emocionada. “Essa firma não pode continuar aí. Quantas pessoas vão morrer para vocês tirarem ela?”, questionou, referindo-se à Organização Social (OS) Sociedade Beneficente Caminho de Damasco, que atualmente administra a UPA 24h.

A principal reclamação da população foi relacionada à falta de humanização por parte dos médicos nos atendimentos. “A maior questão que vemos com a terceirização da UPA é a falta de vínculo. O funcionário terceirizado tem bem menos vínculo com o usuário do que os profissionais que trabalham nos postinhos. Nos terceirizados, um dia você é atendido por um médico, outro dia por outro porque o primeiro médico já foi para outra cidade. Não há vínculo com a população”, disse Anselmo Moura, que trabalha na saúde da cidade há nove anos.

O ex-vereador Dário Bueno ‘Burro’ também manifestou opinião. De acordo com Dário, ter como secretária de Saúde a esposa do dono de um plano particular de saúde é conflituoso. “Não podemos tratar isso com ingenuidade, pois o que rege a administração pública, fora a legalidade, é a moralidade. Além de ser imoral, parece promíscuo, e o conflito de interesse é claro desde o primeiro dia”. Burro ainda afirmou que há descaso da Prefeitura em buscar soluções. “A gente nunca vai criar esse vínculo porque não existe interesse na raiz da atual administração”, disse.

Outras críticas expostas foram: critérios na triagem para colocação de pulseiras; falta de respeito de enfermeiros; fechamento da farmácia no horário noturno; impossibilidade de acompanhar o paciente na sala de aplicação; constante uso de celular por parte dos profissionais e demora no atendimento.

“Já houve caso em que eu estive na UPA de madrugada, sozinha, com enxaqueca, e demorou uma hora para ser atendida, e mais uma hora para aplicação do medicamento. Só tinha eu ali. Em momento de desespero de tanta dor, eu entrei na sala e vi que o enfermeiro estava no celular, sozinho, e pedi pelo amor de Deus para me dar o remédio, e então ele aplicou”, disse Dulce Rangel, professora.

Após ser cobrado pela população presente por resultados práticos, o vereador Rodrigo Salomon propôs, com todos os vereadores, a formação de um plano de ação para melhora no atendimento da UPA. “As pessoas não podem ser tratadas como número ou estatística. Nós, juntamente com a promotoria, vamos elaborar um plano de metas para apresentar na próxima audiência pública, na qual a secretária de Saúde e representantes do governo serão convocados, já que não vieram por meio de convite, para exigirmos deles uma solução.”, disse.

O Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski, citou a questão contratual da empresa com a Administração Municipal. “Esse contrato obviamente tem cláusulas que estipula a eficiência do serviço prestado, com marcadores qualitativos e quantitativos. Então precisamos, a partir deste plano de atuação, juntar com as exigências estipuladas no contrato, e caso não seja respeitado, rescindir o contrato com a empresa”.

Empresa – A UPA 24h é atualmente administrada pela Organização Social (OS) Sociedade Beneficente Caminho de Damasco. O contrato tem o valor de R$ 13,6 milhões com um aditivo de R$ 2,6 milhões, referente ao início das atividades da UPA Adulta, com duração de 12 meses e a possibilidade de renovação por outros 60 meses.

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